Em 26 de junho, logo após a Conferência RIO +20, estarei lançando o meu GUIA DA CIDADE MARAVILHOSA pela Editora Ciência Moderna. O guia, com uma visão diferenciada do Rio de Janeiro que você, visitante deste blog, conhece bem, será útil tanto para turistas que queiram aproveitar ao máximo a sua visita como para moradores que queiram conhecer e curtir melhor sua cidade. O guia terá versão impressa e em e-book. O lançamento será na Livraria Folha Seca (Rua do Ouvidor, 37) das 17:00 às 20:30. Conto com a sua presença!

Para fazer download de uma versão de 18/4/12 com 30580 verbetes do meu Ivo Korytowski's English-Portuguese Translator's Dictionary clique aqui.

CIDADE MARAVILHOSA

27.5.12

PASSEIO PÚBLICO



Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPHAN em 1938, o Passeio Público é o primeiro jardim público do Rio de Janeiro, mandado construir pelo vice-rei D. Luiz de Vasconcelos, em 1783. Projetado por Mestre Valentim, importante artista do período colonial brasileiro, o jardim apresentava ruas retas que se cruzavam ortogonalmente e outras formando diagonais, e ostentava elementos decorativos também criados pelo artista, que ainda hoje estão presentes. Entre eles, o tombamento federal destaca o Portão Principal, o Chafariz dos Jacarés (Fonte dos Amores) e os Obeliscos (Pirâmides).

Uma grande reforma foi executada no Passeio Público em 1861, pelo botânico e paisagista francês Auguste Glaziou. Nela foram conservados os elementos arquitetônicos e artísticos originais, mas foi alterado o partido do jardim, adotando-se aleias curvas e sinuosas, lagos e pontes, à feição do paisagismo romântico (informação de um letreiro existente no Passeio Público).


Portão de acesso em bronze com feição rococó

Medalhão de D. Maria I, rainha de Portugal, mais tarde aqui no Brasil cognominada a Louca, e do rei consorte de Portugal, seu marido Pedro III

... ide passear algumas horas no Passeio Público...


Quando estiverdes de bom humor e numa excelente disposição de espírito, aproveitai uma dessas belas tardes de verão como tem feito nos últimos dias, e ide passear algumas horas no Passeio Público, onde ao menos gozareis a sombra das árvores e um ar puro e fresco, e estareis livres da poeira e do incômodo rodar dos ônibus e das carroças. 


José de Alencar em crônica de 29 de outubro de 1854

Chafariz dos Jacarés


Uma das obras primas do Mestre Valentim, a Fonte dos Amores foi projetada em 1783, quando a cidade do Rio de Janeiro era marcada pela sujeira e pela insalubridade. A falta de água potável foi amenizada a partir da construção, pelo vice-rei, de fontes e chafarizes por toda a cidade.
No projeto de Valentim, como se pode observar, a Fonte foi colocada em local de destaque dentro do jardim. Ao entrar no Passeio, o visitante avistava imediatamente a Fonte dos Amores.
A Fonte possui duas faces. Na que está voltada para o jardim, encontra-se o Chafariz dos Jacarés. As esculturas, fundidas em bronze na antiga Casa do Trem, despejam [na verdade, despejavam; a fonte atualmente está seca] pela boca a água que cai no tanque semicircular que rodeia a cascata. A outra face da Fonte dos Amores tem o Chafariz do Menino. Para observá-lo melhor é necessário subir até o terraço.
Mesmo com toda a transformação realizada por Glaziou, em 1861, foram mantidas do original do Mestre Valentim a Fonte dos Amores e as pirâmides (informação de um letreiro do Passeio Público).

Chafariz dos Jacarés (detalhe)

Chafariz do Menino: "Sou útil inda brincando".

Entrava então no Passeio Público, e tudo me parecia dizer a mesma coisa. — Por que não serás ministro, Cubas? — Cubas, por que não serás ministro de Estado? Ao ouvi-lo, uma deliciosa sensação me refrescava todo o sistema. Entrei, fui sentar-me num banco, a cavar comigo aquela idéia. 


Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas


Duas pirâmides em granito de Mestre Valentim (1806)

[Mestre] Valentim pertenceu à Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, composta de homens pardos como ele, tendo a ela se filiado em 1766. Desde então, até 1813, produziu valioso acervo de obras que o tornaram notável entre os demais artistas do Rio de Janeiro colonial. Embelezou a cidade com dois importantes marcos: para o largo do Paço (atual praça Quinze), a mais importante praça da cidade, produziu o belíssimo chafariz; na área do aterro da antiga lagoa do Boqueirão projetou e realizou o primeiro jardim público da cidade, o atual Passeio Público, inaugurado em 1783. Aliás a obra do Passeio representou a primeira intervenção do poder público na cidade, que partia de um ponto de vista global e objetivava retirar o largo do Paço de sua posição de único marco espacial no gênero. Foi sem dúvida uma proposta ousada, que partiu do vice-rei d. Luis de Vasconcelos e Souza. Exigiu obra complexa e cara de aterramento da lagoa e desbastamento de parte do morro do Desterro (atual morro de Santa Teresa). O projeto não se resumia ao Parque, mas compreendia um todo integrado e inovador, ao qual a baía de Guanabara se incorporava ao mesmo tempo como paisagem descortinada por quem no Passeio estivesse plantado, ou como ponto de vista de quem chegava à cidade pelo mar. Em seu lado oposto e extremo, no vértice formado pela atual rua Evaristo da Veiga, ficava o chafariz das Marrecas, que fornecia água potável acessível ao consumo da população. Unindo o parque ao chafariz corria uma rua larga, reta, direcionadora do olhar daquela pessoa que se dirigia ao grande jardim, preparando-a ao deleite de um passeio pelas alamedas floridas que convergiam para o eixo principal e terminava no terraço descortinando a bela visão da baía de Guanabara. Nos extremos desse terraço erguiam-se dois pavilhões hexagonais em que se exibia a arte muralista de painéis com conchas e penas, obras de Francisco dos Santos Xavier (Xavier das Conchas) e de Francisco Xavier Cardoso Caldeira (Xavier dos Pássaros) muito apreciadas pela população da cidade. No interior do Parque não faltavam elementos de adorno, presentes em famosos passeios públicos de outras cidades da Europa, como fontes e estátuas. A rua que unia o Passeio Publico ao chafariz, atual Marrecas, principal via de acesso ao Parque, foi batizada com o poético nome de "Belas Noites", numa clara alusão ao espetáculo visual que oferecia aos transeuntes nas noites de luar. Foi a primeira rua aberta sem o objetivo utilitário de circulação e oferta de lotes para novas construções. Ao contrario, nasceu para desempenhar uma função estético-espacial e expressar, deliberadamente, o mais sofisticado nível do viver urbano com arte.

Com esse conjunto inovador, a cidade passou a oferecer a todos a oportunidade do deleite urbano, e possibilitou a seus usuários a chance de demonstrarem o grau de civilidade que possuíam, bem como os gestos e as maneiras de uma educação requintada. A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro poderia, a partir dessa grande intervenção, colocar-se ao lado da cidade de Lisboa e outras do Reino.

Nireu Cavalcanti, O Rio de Janeiro Setecentista, pp. 312-13


Da esquerda para a direita: Verão, outono, inverno, primavera, esculturas em ferro fundido de Mathurin Moreau (Fundições Val d'Osne) de 1860.

Em cima, da esquerda para a direita: bustos de Raimundo Correia, Chiquinha Gonzaga, Alberto Nepomuceno, Pedro Américo; em baixo: Vítor Meireles, Castro Alves e Mestre Valentim.

O espetáculo dessa natureza opulenta...

FAZEI de conta que vos achais agora comigo no aprazível terraço do Passeio Público do Rio de Janeiro. O dia foi calmoso. Em compensação, porém, a tarde é bela e fresca. O sol derrama sobre a terra seus últimos raios. Anuncia-se a hora do crepúsculo. A viração festeja docemente as verdes folhas das árvores que sussurram com um leve ruído. Imaginai tudo isto. Embalar-vos-eis com uma ficção que já tem sido e será mil vezes uma verdade. Sentemo-nos nestes bancos de mármore e de azulejos. Voltemos as costas para o mar. O espetáculo dessa natureza opulenta, grandiosa, sublime, absorve-nos-ia em uma contemplação insaciável. Cerremos por algum tempo os olhos à majestade das obras de Deus. A hora do crepúsculo é suave, melancólica e propícia aos sonhos do futuro e às recordações do passado. Deixemos o futuro a Deus no Céu e aos poetas na Terra.

Joaquim Manuel de Macedo, Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro, “Passeio Público”


Fonte do Tritão, em bronze, réplica de 2004 da fonte original de Nicolina Vaz de Assis furtada em 1993

14.5.12

COM REJANE SOBREIRA MINATO EM SÃO CRISTÓVÃO

Corcovado visto (por uma nesga) da casa de Rejane.

REJANE SOBREIRA MINATO, museóloga, poetisa e pintora, reside há três décadas em uma casa antiga na Rua São Januário, no Bairro Imperial de São Cristóvão. Seu poema Casarão pode ser apreciado no meu outro blog, o Sopa no Mel, clicando aqui. Rejane é autora de uma monografia sobre o bairro, ROTEIRO DE FRAGMENTOS HISTÓRICOS DO BAIRRO DE SÃO CRISTÓVÃO, com a qual obteve o grau de bacharel em Museologia, e que está disponível no Google Docs (para acessar clique aqui). 

Rejane gentilmente me conduziu (na companhia do arquiteto Helio Brasil, autor do livro São Cristóvão  clique em seu nome no menu da direita para conhecer suas contribuições a este blog) por um passeio nas imediações da casa dela, onde muitas surpresas me aguardavam, que sozinho eu dificilmente descobriria. As fotos resultantes estão aqui expostas. Os textos entre aspas são trechos de sua monografia.

Duas casas na Ladeira São Januário.

Igreja de São Januário e Santo Agostinho na Rua São Januário, 249, inaugurada em 1947. Uma igreja singular no Rio pelo teto e paredes da nave recobertos de afrescos com efeito trompe-l'oei dando a impressão de alto-relevo. Também dignos de nota os vitrais e quadros dos passos da Paixão.

Interior da igreja (colagem).  

"Antes mesmo de ser solucionado o problema da ocupação francesa, Estácio de Sá doou à Companhia de Jesus uma imensa sesmaria no Recôncavo da Guanabara, que se estendia do Rio Comprido até Inhaúma, legitimada, em 1568, pelo Governador Geral Mem de Sá, ao Colégio dos Jesuítas que, naquela ocasião, situava-se no Morro do Castelo. Esta sesmaria incluía a Fazenda do Engenho Velho, do Engenho Novo e de Santa Cruz além da Fazenda de São Cristóvão, onde os jesuítas tinham suas plantações de cana-de-açúcar e criações de gado. Considerada a ordem mais rica da cidade, a influência dos jesuítas estava presente não só na educação, mas também na vida política e econômica."

Casarão na Rua São Januário, 201 onde funciona a Interclin Clínica Médica.

"O acesso à Fazenda de São Cristóvão era difícil em virtude de sua topografia 'semianfíbia', caracterizada por grandes alagados, pântanos, morros, praias, rios, além de uma grande floresta. Embora os jesuítas tenham sido os pioneiros na ocupação da várzea e da penetração no sertão carioca, somente por volta de 1627 começaram a ocupação efetiva da fazenda edificando, inicialmente, uma igrejinha à beira da praia dedicada à São Cristóvão, padroeiro dos viajantes, nas proximidades do caminho que servia de ligação entre a cidade e o interior fluminense."


Art déco. Antiga fábrica de cosméticos, atual depósito da Polícia Federal, na Rua São Januário, esquina com Rua Carneiro de Campos.

"Um dos principais lotes ocupados seria de importância vital para todo o desenvolvimento do bairro. Foi comprado pelo rico comerciante português, Antônio Elias Lopes e transformado numa chácara que recebeu o nome de Quinta da Boa Vista, em virtude da bela paisagem que a circundava. Na parte mais elevada do terreno foi construída a sede da chácara, um imenso casarão de dois pavimentos que logo passou a ser considerada a melhor residência da cidade."


Contraste arquitetônico.

"Por este motivo foi presenteada, por Elias Lopes, ao Príncipe D. João, quando este chegou ao Rio de Janeiro, no início do século XIX. Aceita a oferta D. João instalou-se na residência logo que a recebeu, tornando-a o verdadeiro centro da monarquia portuguesa. A família de Bragança instalou-se na Quinta da Boa Vista ainda em 1808, conferindo ao bairro de São Cristóvão o status de real, ou seja, aristocrático da cidade."


Casarão classicizante na Rua São Januário, quase na esquina com a Rua Teixeira Júnior.

"Foram feitas benfeitorias que a nova condição exigia datando, desta época, os primeiros melhoramentos na infra-estrutura do novo bairro e de suas imediações. Os pântanos, ainda existentes, foram aterrados e abertas novas ruas. Durante todo o século XIX o bairro de São Cristóvão passou por grandes transformações políticas, econômicas e sociais. A partir de 1850, com o progresso da cafeicultura, os ricos “barões do café” enriqueceram a cidade com seus palacetes neoclássicos e todas as benfeitorias implantadas na cidade foram rapidamente levadas para o bairro onde habitava a elite."


Casarão com elementos art-nouveau na Rua São Januário, perto do Vasco da Gama.

"Com a Proclamação da República, em 1889, o bairro, impactado pelos acontecimentos políticos vinculados à consolidação do novo regime, sofreu rápida transformação. A aristocracia, pouco a pouco, foi deixando seus palacetes em São Cristóvão e mudando-se para outros mais elegantes na Tijuca e em Botafogo. O Palácio da Quinta foi abandonado pelos republicanos que adotaram como sede do governo o Palácio Itamarati e, posteriormente, o Palácio do Catete."


Rua Dom Carlos, esquina com Rua São Januário (pertinho do Vasco da Gama).

"A modernização do porto, uma das etapas importantes da Reforma Pereira Passos, tinha como objetivo atender ao volume de mercadorias, implicando na demolição de trapiches e aterro de enseadas. Como consequência, o bairro de São Cristóvão perdeu a região praieira, ligando-se diretamente com a Avenida Rodrigues Alves. Isto contribuiu para o surgimento de favelas em virtude do altíssimo número de desabrigados."


Chalés na Rua Cel. Cabrita.

Prédio de curva. À esquerda subida do Morro do Tuiuti.

A praça é do povo... (Praça Alfredo Machado, ex-Praça Elisa Cyleno)

Bar com águia no topo na esquina das ruas Tuiuti com Curuzu.

Pavilhão de São Cristóvão e Igreja de São Januário vistos da Rua da Liberdade ao cair da tarde.

Casario na Rua da Emancipação.

24.4.12

SALVE SÃO JORGE 2012


FOTOS TIRADAS NA FESTA, MISSA E PROCISSÃO DE SÃO JORGE NO SUBÚRBIO CARIOCA DE QUINTINO NO DIA DO SANTO GUERREIRO EM 2012




Clique na projeção de slides se quiser ver o álbum das fotos com as respectivas legendas. Clique no marcador São Jorge abaixo para ver também nossa outra postagem sobre o santo guerreiro.

12.4.12

MORROS DA ZONA PORTUÁRIA


A abertura da Av. Presidente Vargas nos anos 40 (seguindo o traçado do antigo Caminho do Aterrado e das tradicionais ruas do Sabão e de São Pedro) dividiu o Centro carioca em dois "pedaços": no "lado de cá" da avenida ficou o centro de negócios da cidade e no "lado de lá" o centro portuário. Com a mecanização da atividade portuária possibilitada pelo advento dos contêineres, a chamada Zona Portuária entrou em processo de decadência, do qual só em anos recentes começou a sair com a construção da Cidade do Samba em plena Gamboa e agora, em vista da Copa e Olimpíadas, o Projeto Porto Maravilha. Como é típico de muitas áreas do Rio, uma série de morros (a maioria pouco conhecida ou desconhecida pelos cariocas) pontilham essa região: Morro de São Bento (1 no mapa acima), Morro da Conceição (2), Morro do Livramento (3), Morro da Providência (4), Morro da Saúde (5), Morro da Gamboa (6), Morro do Pinto (7) e Morro de São Diogo (8). 

Se você olhar um mapa antigo, como o abaixo (escaneado do livro História dos Bairros: Saúde, Gamboa, Santo Cristo, de 1987, da João Fortes Engenharia), que mostra a Zona Portuária no início do séc. XIX, verá que esses morros ficavam perto do mar. O litoral recortado, com enseadas, ilhas, trapiches e ancoradouros, foi empurrado mais à frente e retificado através de aterros para a construção do Porto Moderno na época de Pereira Passos. Destarte, marcos como o Cemitério dos Ingleses, Igreja de São Francisco da Prainha e Igreja de Santo Cristo (por onde você às vezes passa de carro quando pega a via elevada que dá acesso ao Túnel Santa Bárbara), que ficavam à beira-mar, agora nem maresia recebem. As próprias ilhas do Cães e das Moças (ver mapa) foram vítimas da sanha aterradora. Os morros da Zona Portuária, devido ao relativo isolamento em que permaneceram, ainda guardam muito do espírito e aspecto do Rio Antigo. Vamos fazer um passeio por eles?


MORRO DE SÃO BENTO (1 no mapa)

O mosteiro de São Bento em gravura de 1837 de João D. Sturz, escaneada de História dos Bairros: Zona Portuária da João Fortes Engenharia. Observe as pontas das duas torres da igreja atrás do mosteiro, à esquerda. O mosteiro foi durante três séculos um marco na paisagem da cidade. 

O Morro de São Bento é um dos 4 morros (os outros 3 são o Morro da Conceição, o Morro do Castelo demolido nos anos 20 e o Morro de Santo Antônio) que delimitavam a zona urbana do Rio nos tempos coloniais. Já no final do século XVI ali se instalaram os monges beneditinos, que construíram no século XVII seu convento e a Igreja de N. S. de Montserrat, joias da arte barroca. O conjunto foi considerado Monumento Mundial pela UNESCO. O acesso se dá pela Rua Dom Gerardo, 68 (a 200 metros do edifício pós-moderno Rio Branco 1), onde um elevador conduz ao alto do morro  mas um pouco antes existe uma ladeira que você pode subir de carro ou a pé. As missas em canto gregoriano nas manhãs de domingo (e as Vésperas ao cair da tarde) são o que mais se aproxima neste mundo sublunar de uma experiência celestial. Para ler um texto sobre o mosteiro do escritor memorialista Antonio Carlos Villaça, que chegou a se ordenar monge mas depois se arrependeu, clique em Antonio Carlos Villaça no menu à direita .

Igreja de Nossa Senhora de Monstserrat, anexa ao mosteiro. Construção: 1633-1642. Fachada maneirista sóbria, na linha monástica tradicional, contrastando com o interior barroco exuberante em talha dourada. 

Interior da igreja: explosão barroca.

Vista do Morro de São Bento.

MORRO DA CONCEIÇÃO (2)

Contrastes arquitetônicos: Vista da Ladeira do João Homem.


O Morro da Conceição, um oásis de tranquilidade em meio à agitação do Centro da Cidade, guarda tesouros do Rio Antigo como a Fortaleza da Conceição, concluída em 1718 para defender melhor a cidade depois que os fortes na entrada da baía se mostraram insuficientes para defender a cidade (vítima de dois ataques franceses sucessivos, em 1710 e 1711), e o antigo Palácio Episcopal (ou seja, do bispo) do início do século XVIII, onde hoje funciona o Serviço Geográfico do Exército. Pouca gente sabe, mas lá fica também o Observatório do Valongo. O morro abriga ainda uma série de ateliês, que no fim de semana de dezembro mais perto do dia de Nossa Senhora da Conceição (8 de dezembro), abrem as portas ao público no Projeto Mauá.  Uma oportunidade de ouro de conhecer esse simpático recanto carioca. Ao pé do morro ficam a Igreja de São Francisco da Prainha e a Pedra do Sal, um dos berços do samba. Para ver as várias postagens deste blog sobre o Morro da Conceição (além desta) clique em Morro da Conceição no menu da barra direita do blog.

Janela.

Escadinhas.

Villa Guilhermina: Ateliê do artista Claudio Aun.

Sacolé: observe os belos azulejos esmaltados policromos em dois padrões.

Coqueiro sobre o casarão.

Pedra do Sal.

Obras do Porto Maravilha: Mirante. 

MORRO DO LIVRAMENTO (3)


Igreja de Nossa Senhora do Livramento.


No Morro do Livramento nasceu Machado de Assis. Sua mãe era agregada na chácara da viúva do senador Bento Barroso Pereira, que ocupava boa parte do morro. Mas durante as comemorações do centenário da morte de nosso maior escritor, o morro ficou em brancas nuvens, ninguém (a não ser este blogueiro) se lembrou de subir lá em sua homenagem. Ainda se veem no alto do morro, pertinho da torre da Embratel, ruínas de um casarão que devia fazer parte da sede da Chácara do Barroso (ver foto na postagem Morro do Livramento deste blog). Somente no final do século XIX as chácaras começaram a ser desmembradas e loteadas, dando início à ocupação mais densa do morro. Quem aprecia casas do início do século XX encontrará no morro um excelente local de garimpo. A escadaria que dá acesso ao morro a partir da Rua Alexandre Mackenzie (antiga Rua do Costa, onde decorre o Conto de Escola de Machado) é tombada pela Prefeitura (foto abaixo). Para ver também a outra postagem deste blog sobre o morro clique em Morro do Livramento no menu da direita.

Escadaria tombada pela Prefeitura.

Menino no Morro do Livramento. Também Machado foi menino ali.

Vista do Centro.

Singela casinha.

Antigo cortiço do final do século XIX, uma "avenida" como se dizia na época.

Beco com calçamento de pé-de-moleque.

Chalezinho de curva.

Sombras nos degraus.

Panorama da Praça Américo Brum, ao pé do Morro da Providência.

MORRO DA PROVIDÊNCIA (4)


Morro da Providência com o Oratório no alto.




Se você olhar no Google Earth verá que o Morro da Providência é uma parte mais alta (chegando a uns 90 metros) na extremidade oeste do Morro do Livramento (ou seja, não é um morro separado). Suas duas grandes antigas pedreiras, cujas bases servem de garagem de ônibus, são claramente visíveis na imagem abaixo do Google Earth.




No Morro da Providência encontra-se a mais antiga favela do Rio, criada por soldados retornados de Canudos, que ali construíram moradias precárias enquanto aguardavam que o Ministério da Guerra, ali perto, fornecesse alojamentos apropriados, o que nunca aconteceu. Favela ou faveleiro é o nome de um arbusto grande da família das euforbiáceas. Um dos morros da região de Canudos, com grande quantidade dessa planta, chamava-se Morro da Favela, nome pelo qual foi chamado o Providência por algum tempo. A designação “favela” depois se estendeu a outras comunidades. No alto do morro ergue-se o Oratório do Morro da Providência, tombado em 1986 pelo Município, construído em 1901 pelas mulheres dos soldados. Ali entronizaram a imagem do Cristo, de devoção de Antônio Conselheiro, trazida do interior da Bahia.


O morro recentemente foi pacificado e já se pode subir lá com certa segurança (entrando no Conjunto Habitacional dos Marítimos, na Rua da América, e seguindo “sempre em frente”, você acaba atingindo uma escadaria que dá acesso direto ao oratório — dá para ver no Google Maps). Grandes obras no contexto do Projeto Porto Maravilha, como o teleférico e plano inclinado, poderão transformar o morro em uma atração turística.

"Ai, barracão, pendurado no morro, e pedindo socorro à cidade aos seus pés."

Oratório do início do século XX.

Oratório num desenho de 1938 de J. Sarmento para a Revista da Semana. Imagem escaneada da História dos Bairros: Saúde, Gamboa, Santo Cristo, da João Fortes Engenharia.

Igreja de Nossa Senhora da Penha.

Central do Brasil, Pão de Açúcar e prédios do Centro vistos do alto do Morro da Providência.

Escadaria entre a Providência e o Livramento.

Arte popular.

MORRO DA SAÚDE (5)


Morro da Saúde. Ao centro a Igreja de N. S. da Saúde e à esquerda um dos prédios de um condomínio que existe no alto da Ladeira da Saúde.


O Morro da Saúde é um morrote pouco conhecido perto do Moinho Fluminense e da antiga Praça da Harmonia (atual Praça Cel. Assunção) mas que guarda uma relíquia: a Igreja de Nossa Senhora da Saúde. Outrora à beira-mar, agora entre o monte e o Cais do Porto interpõe-se o mostrengo Perimetral. “Com os aterros, perdeu o mar, a vista, e ficou cercada de armazéns imundos e nuvens de monóxido de carbono.” (Alexei Bueno, Gamboa). A singela igrejinha já chegou a estar em petição de miséria, mas depois de um primoroso trabalho de restauração recuperou seu encanto. Construída em estilo barroco jesuítico em meados do século XVIII, sofreu uma reforma em 1898. Diz Alexei: “Com frontão e sineira barrocos, fachada algo alterada por uma janela oitocentista em arco pleno sobre o portal de granito, possui nave única e um interior de grande elegância.” A entrada se dá pela Rua Silvino Montenegro.

Entrada para a igreja na Rua Silvino Montenegro.

Igreja de Nossa Senhora da Saúde.

Interior da igreja.

Azulejos portugueses.

Torre vista por detrás.

Vista do adro da igreja.

Ladeira da Saúde. Observe um pedacinho da Povidência no centro-esquerda.


MORRO DA GAMBOA (6)


Morro da Gamboa visto da Rua da Gamboa, ao lado da Cidade do Samba.


O Morro da Gamboa fica juntinho da Cidade do Samba, à esquerda (oeste), sendo visível de lá. Depois que o herdeiro da chácara do Comendador Machado Coelho lá existente a alugou para uma das primeiras casas de saúde do Rio, em 1841, o morro nunca mais deixou de abrigar instituições de saúde. Ali a Santa Casa instalou em 1853 uma enfermaria para portadores de doenças infecciosas, entre elas febre amarela e cólera, e desde 1871 lá funciona o Hospital de Nossa Senhora da Saúde, popularmente conhecido como Hospital da Gamboa. O hospital e sua capela, de Nossa Senhora das Graças, do final do século XIX, em estilo neogótico inglês, são tombados pelo Município.


Antigo portão.
Acesso ao hospital.

N. S. da Saúde e atrás, sucessivamente: Perimetral, Cais do Porto, Ponte Rio-Niteroi.

Capela de Santo Cristo dos Milagres de 1890 em estilo neogótico.

MORRO DO PINTO (7)


Igreja de Nossa Senhora de Montserrat no Morro do Pinto.


Quem passa pela Avenida Presidente Vargas vê, na altura da Cidade Nova (quem sobe para a Praça da Bandeira vê à direita, quem vem de lá vê à esquerda), uma igrejinha numa colina cercada de casinhas: a Igreja de N.S. de Montserrat, no Morro do Pinto. O morro, que já se chamou Morro do Nheco e Morro Paulo Caieiro (ou Cairô como consta de alguns mapas) deve seu nome ao comerciante Antônio Pinto Ferreira Morado, antigo proprietário de terras ali e nas proximidades (segundo Brasil Gerson). Nas ruas de paralelepípedos do morro você respira um ar tranquilo, de cidade do interior (como mostram as fotos). Somente a partir de 1874, com a abertura da Rua do Pinto (primeira foto abaixo) que levava ao alto do morro, começou sua ocupação efetiva. Em 2009 o editor deste blog fez uma visita ao morro acompanhado da poetisa Conceição Albuquerque, que foi criada no morro mas depois de adulta não voltara mais lá. Para ver a postagem resultante (além desta) clique em Morro do Pinto no menu à direita.

Rua do Pinto.

Chalé.

Escadaria (observe as senhoras sentadas à porta de casa como em cidade do interior).

Prédios e casas morro acima.

Vista da antiga fábrica da Bhering (onde está a chaminé).

Travessa Souza.

"Cidadezinha do interior" em pleno Rio.

Morro abaixo.

MORRO DE SÃO DIOGO (8)


Pedreira de São Diogo e Favela Moreira Pinto.


O Morro de São Diogo é uma ponta do Morro do Pinto, do qual é separado pela Rua Moreira Pinto. Abriga a favelinha de mesmo nome (Moreira Pinto) e teve sua ponta corroída pela antiga Pedreira de São Diogo, até hoje visível das Avenidas Francisco Bicalho e Presidente Vargas. Nos tempos de antanho “quebrar pedra em São Diogo” era sinônimo de “dar duro” como mostra velho samba de breque do Moreira da Silva de 1942 que você pode ouvir no YouTube. O nome se deve ao alferes Diogo de Pina que erigiu uma capela em louvou do santo nesse morro. O alferes se celebrizou por enfrentar os invasores franceses comandados por Duguay Trouin e deu nome também aos antigos Mangal de São Diogo e Saco do Alferes. O quinto episódio de Cinco Vezes Favela de 1962, dirigido por Leon Hirszman, chama-se Pedreira de São Diogo, embora fosse filmado na Pedreira da Providência.


A pedreira vista do Morro do Pinto.

A pedreira vista da passarela em frente à Leopoldina.  A chaminé é da antiga fábrica de açúcar que existiu no local.